Cinema Moonlight – falta-lhe algo para ser o melhor

O vencedor do Óscar de melhor filme do ano, Moonlight, realizado por Barry Jenkins, um realizador relativamente pouco conhecido na indústria, e baseado na peça de Tarell Alvin McCraney, trata da história de um rapaz negro, Chiron, com uma vida muito disfuncional e que vive num gueto de Miami.

O filme é dividido em três fases, cada uma representando uma diferente etapa da vida de Chiron. No primeiro segmento, é nos dada a conhecer a sua infância (Alex R. Hibbert), onde Chiron é constantemente vítima de bullying, até um dia ser auxiliado por Juan (Mahershala Ali), um dealer no topo da cadeia, com quem estabelece uma ligação quase de pai-filho. É nesta fase onde também nos é apresentada a mãe de Chiron, Paula (Naomie Harris), uma narco-dependente que sente pouco ou nenhum afeto pelo filho, aproximando este de Juan e da sua namorada Teresa (Janelle Monáe). Ambos têm um papel fundamental na sua formação tornando-se como que a sua segunda família, fazendo-o sentir-se “ouvido” e apoiado.

No segundo segmento, Chiron é já um adolescente (Ashton Sanders). Contudo, o bullying por parte dos seus colegas intensifica-se e centra-se sobretudo na sua sexualidade, com a qual Chiron não está definitivamente bem resolvido, manifestando dúvidas e receios. Paralelamente, Paula continua com o vicio, tão ou mais exacerbado, autoexcluindo-se do seu papel de mãe.

Entrando na idade adulta, Chiron (Trevante Rhodes), torna-se num dealer temido tal como Juan, e é então chegado o momento de resolver a sua sexualidade, bem como a relação tempestuosa e indiferente que mantem com a sua mãe, bem como os medos que a mesma transporta.

Um filme com um passo lento e com uma história forte onde se realçam principalmente as prestações de todos os atores, que conseguem transmitir as suas preocupações, ódios e rancores apenas com um simples olhar que consideraria arrebatador, forte, ao qual ninguém consegue ficar indiferente, nomeadamente o de Harris e Ali, que roubam todas as cenas em que entram.

O tema do filme é pesado e não deve ser discutido de ânimo leve. Refiro-me aos temas fortíssimos do bullying, da sexualidade e até mesmo da dependência. No entanto, não o considero o melhor filme do ano, apesar de estar certamente entre os melhores de 2016,. Tem boa representação, realização, cinematografia e até banda sonora; sinto que falta algo que o impede de atingir o patamar de muitos filmes merecedores desta distinção.

 

 

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