Comportamento Rodoviário: Agressividade e “Road Rage”

Muitos são os episódios , com que nos deparamos no nosso quotidiano, que mostram como o comportamento Humano pode ser desproprocional e desajustado quando o tema é Trânsito!

Que cultura a nossa que nos faz esquecer que todos partilhamos as estradas, as cidades, os caminhos, as vilas e as povoações e, só por isso, temos que aprender a gerir o nosso comportamento rodoviário. A estrada é comum, tem regras e limites e por isso temos todos o dever de ser ajustados e funcionais, neste contexto.

Agressividade no Trânsito! Porquê?

Sabemos que a agressividade tem uma base instintiva, primária, genética e hereditária. Mas por outro lado também é aprendida, ou seja, filho de transgressor virá a ter maior probabilidade de se tornar trasngressor no trânsito. As crianças aprendem por imitação e modelagem, os modelos parentais também influenciam a formação das suas personalidades. Neste contexto podemos afirmar que, o que é observável pelas crianças, no trânsito, tenderá a ser reproduzido, mais tarde, quando se tornarem elas próprias condutores. Para além da modelagem do comportamento também existem questões estruturais da própria personalidade dos condutores que interagem nos episódios de agressividade nas estrada e no trânsito em geral. Num estudo levado a cabo no Brasil, em 2011, concluiu-se que os individuos com baixa auto-estima, sentimentos de culpa e ansiedade face à vida, com um padrão de relações interpessoais frágeis, complexos de superioridade ou que apresentavam dificuldades em lidar com o poder tendiam a ser mais agressivos nas estradas. Muitas são as investigações que decorrem, neste âmbito, no sentido de serem conseguidas estratégias preventivas que evitem este tipo de comportamento.

Cometer alguns erros, ser indelicado, cometer deslizes em situações pontuais é comum a todos nós. Mas quando o comportamento rodoviário é pautado pela agressividade e stress crónico estamos certamente a entrar na esfera da questão da saúde pública, no sentido em que, todos nós poderemos vir a estar perigo. Muitos autores chamam a este fenómeno o Road Rage.

O termo Road Rage foi introduzido pelo Dr. Leon James e defende que existem três niveis de comportamentos que indicam que estamos perante um condutor Road Rage: no nível 1 temos o Condutor Impaciente, no nível 2, o condutor em Luta de Forças e no nível 3 o Condutor Negligente.

O Condutor Impaciente revela um comportamento caracterizado essencialmente por não respeitar as regras de trânsito, como por exemplo, não parar perante um sinal de stop, não respeitar semáforos ou não respeitar os limites de velocidade. Estes comportamentos consistem, para os outros condutores, num estimulo negativo, potenciador também de comportamentos negativos e agressivos. Pode gerar uma dinâmica relacional, assente no conflito interpessoal, e que pode levar a episódios de cariz agressivo.

O condutor de nível 2, o que se encontra em Luta de Forças, são aqueles condutores que, perante um erro de trânsito de um outro condutor, se tornam agressivos tentando punir o transgressor de todas as formas possíveis. Por exemplo ignorar a distância de segurança que deve manter com o veiculo que se situa à sua frente (sendo esse o veiculo do condutor que não cumpriu determinada regra do trânsito), não deixar o outro condutor entrar numa fila de trânsito, sempre com o objetivo de punir. Este tipo de condutor tende a ser psicologicamente instável e acredita estar a fazer um bem à sociedade, defendendo que os que cometem erros necessitam de punição imediata …” desejando punir aqueles que não têm conduta semelhante ao do condutor agressivo” (James)

O Condutor do nível 3, Negligente é aquele que entra frequentemente em duelos rodoviários, em competições de velocidade na estrada publica, em registos de alta velocidade mesmo que seja para parar no semáforo seguinte de onde ninguém passa. Falamos de Agressividade e de Competição. Também se enquadram neste grupo, os condutores alcoolizados ou que conduzem sob o efeito de drogas, bem como outros crimes cometidos por condutores que se encontram envolvidos em acidentes, atropelamentos e assaltos.

Para terminar não posso deixar de lembrar que o Comportamento Agressivo no trânsito está incluido num padrão de comportamento agressivo, que também existirá certamente em outras áreas da vida do individuo. Não esqueçamos que existem estimulos na estrada, que potenciam este tipo de comportamento que são: o barulho, o calor, os engarrafamentos, a espera, o stress, o sentimento de impunidade, a sensação de anonimato, no entanto, nem todos nós quando sujeitos a estas variáveis despoletamos um padrão Road Rage. Muitas vezes teremos muita vontade de o fazer, outras até prevaricamos também, mas sejamos sensatos e não nos esqueçamos que a estrada é de todos nós!

Desejo a todos um Bom Comportamento Rodoviário!

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