MOÍNHO LOUNGE

Texto Joaquim Gouveia

A reabertura do Moinho de Maré da Mourisca, após aturado trabalho de remodelação no seu interior e exterior foi acompanhada pelo entusiasmo dos visitantes que passaram a contar com mais um local de interesse público operacional e devidamente equipado para as suas visitas agora bem mais interessantes e agradáveis dada a própria agradabilidade do local que se tornou ponto de encontro não só para a tradicional observação de aves mas também para degustar produtos regionais ou para a prática de atividades lúdico-desportivas.

As atividades que por ali vão tendo lugar são atrativo quanto baste para juntar inúmeros visitantes e dar ao local a importância que o mesmo merece num enquadramento turístico e paisagístico quase único como confirma o fato deste moinho ser o mais fotografado do país.

A Dra. Ana Gomes, do gabinete de turismo da Câmara Municipal de Setúbal é a responsável pelo moinho e toda a sua atividade. Confessa-se satisfeita pelos resultados alcançados com a reabertura do espaço confirmando a sua crescente procura por parte dos visitantes.

“O espaço tornou-se mais atrativo e acolhedor – diz a responsável à nossa reportagem. Por outro lado a capacidade para receber o público visitante é agora maior. Para além das atividades associadas ao histórico imóvel como a birdwatching (observação de aves), o público dispõe de Stand up padel, já praticável, pode visitar as exposições de pinturas que aqui temos patentes, utilizar os percursos pedestres e os pontos de observação de aves e ainda aproveitar para viajar no estuário num barco de um pescador da região devidamente certificado pelo Turismo de Portugal.”.

Para além destas vertentes turístico-desportivas-lúdicas, o moinho dispõe de cafetaria e de uma loja de produtos regionais onde é possível encontrar o queijo de Azeitão, Moscatel de Setúbal, vinhos e enchidos da região, bem como artesanato.

É tudo uma questão de escolha e, nesta altura, a loja ali existente dispõe de uma variedade enorme de produtos.

Ana Gomes fala também da importância que a história do moinho encerra. “Outrora foi um importante espaço na indústria da moagem de cereais e dava trabalho a muita gente desta região. Era por isso um polo de desenvolvimento económico não só para esta região como afinal para o país. Com a industrialização envolvente o moinho, tal como praticamente todos os outros, deixou de funcionar. No fundo este é um espaço muito enraizado na cultura da região do Sado”, explicou.

Pelo que se crê o edifício data de 1602, século 17. Depois de vários anos de abandono o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), tomou conta do moinho em 1925, acabando por o reconstruir.

Em 2012, no âmbito de um protocolo de cogestão com o ICNF (proprietária do moinho e da herdade da Mourisca), a Câmara de Setúbal voltou a abrir as portas ao velho edifício tornando-o agora num ponto de interesse turístico e ambiental, ou como explicou Ana Gomes, “o ICNF convidou a Câmara de Setúbal para uma parceria que visasse devolver vida ao moinho, naturalmente, com outras características diferentes das iniciais que se prendiam unicamente com a moagem de cereais. A estratégia de turismo municipal enquadrou o convite numa perspetiva de birdwatching. Hoje para além dessa vertente contamos com toda a variedade de possibilidades num espaço que também se tornou lounge quanto à sua decoração da responsabilidade do decorador setubalense João Maria”, ilucidou.

Para além da decoração o espaço sofreu uma ampliação no seu interior enquanto no exterior os melhoramentos assentam nos passeios com estruturas em madeira e calçada. Ao longo dos passeios existe um conjunto escultório em ferro alusivo às aves do Sado, da autoria do escultor Pedro Marques.

Cada vez são mais os turistas estrangeiros que procuram o espaço para a observação de aves, grande parte migratórias que aparecem por estas bandas pelo inverno. Calcula-se que o estuário receba mais de 50 espécies de aves.

O espaço está aberto entre terças e quintas feiras das 10 às 18 horas e fins de semana das 10 às 23 horas.

 

 

UM MOÍNHO COM 400 ANOS

 

Uma lápide no interior do edifício expõe a data de 1601, indiciando o possível ano da construção do moinho que, a funcionar junto de uma represa, a força da corrente da água para colocar em movimento as engrenagens responsáveis pela produção de farinha. Uma vez cheia a represa – também denominada de caldeira – com o fluxo de água resultante da maré cheia, era fechada a comporta de comunicação entre a mesma e o rio. Com a baixa-mar, eram abertas as portas que encerravam a caldeira, os pejadouros, e, através da corrente de água criada artificialmente, colocava-se a girar o rodízio, roda disposta horizontalmente, constituída por um conjunto de palas e ligada às mós. Seis mós, responsáveis pela moagem dos grãos de cereais para o fabrico de farinha, equipavam o moínho espaço que, na primeira metade do século XX, foi alvo de melhoramentos, tendo, na altura, sido elevado o pavimento em cerca de cinquenta centímetros.

 

MOÍNHO É PROPRIEDADE DO ICNF

 

O Moinho de Maré da Mourisca é propriedade do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e funciona atualmente em regime de cogestão com a Câmara Municipal de Setúbal, sendo palco da realização de várias atividades nas áreas da educação e animação ambiental e do turismo de natureza.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I. P. é um instituto público integrado na administração indireta do Estado, dotado de autonomia administrativa, financeira e património próprio.

O ICNF, I. P. tem por missão propor, acompanhar e assegurar a execução das políticas de conservação da natureza e das florestas, visando a conservação, a utilização sustentável, a valorização, a fruição e o reconhecimento público do património natural, promovendo o desenvolvimento sustentável dos espaços florestais e dos recursos associados, fomentar a competitividade das fileiras florestais, assegurar a prevenção estrutural no quadro do planeamento e atuação concertadas no domínio da defesa da floresta e dos recursos cinegéticos e aquícolas das águas interiores e outros diretamente associados à floresta e às atividades silvícolas.

 

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